Como os significados impactam o turismo

O Brasil é perigoso ou carrega o significado de perigo?
Quando pensamos em escolher um destino turístico, segurança costuma aparecer entre os fatores considerados. Mas o que exatamente significa sentir-se seguro?
Existe a segurança relacionada às condições concretas de um lugar. E existe aquilo que podemos chamar de segurança percebida: a interpretação que fazemos do destino antes e durante a experiência.
Essa percepção não é construída apenas por aquilo que vivenciamos diretamente. Ela também é formada por notícias, imagens, relatos, memórias, experiências de outras pessoas, narrativas sociais e significados que aprendemos a associar a determinados lugares.
Como aponta Gehl em seus estudos sobre a vida nos espaços públicos, a sensação de segurança tanto objetiva quanto percebida é fundamental, tema que ficou evidente para mim na minha pesquisa de mestrado, onde um mesmo espaço possuía diferentes significados de acordo com o uso e experiências que a pessoa teve, onde um número significativo de pessoas avaliou que existiam lugares adequados para se sentar, sendo que não existia nenhum, a experiência que ela teve com a rua, a fez considerar que muros ou calçadas são lugares adequados para sentar.
É justamente aí que surge uma questão importante para o turismo:
Até que ponto a percepção de segurança de um destino corresponde às suas condições concretas e até que ponto também é resultado dos significados que construímos sobre ele?
Existe a segurança relacionada às condições concretas de um lugar. E existe aquilo que podemos chamar de segurança percebida: a interpretação que fazemos do destino antes e durante a experiência.
Essa percepção não é construída apenas por aquilo que vivenciamos diretamente. Ela também é formada por notícias, imagens, relatos, memórias, experiências de outras pessoas, narrativas sociais e significados que aprendemos a associar a determinados lugares.
Como aponta Gehl em seus estudos sobre a vida nos espaços públicos, a sensação de segurança tanto objetiva quanto percebida é fundamental, tema que ficou evidente para mim na minha pesquisa de mestrado, onde um mesmo espaço possuía diferentes significados de acordo com o uso e experiências que a pessoa teve, onde um número significativo de pessoas avaliou que existiam lugares adequados para se sentar, sendo que não existia nenhum, a experiência que ela teve com a rua, a fez considerar que muros ou calçadas são lugares adequados para sentar.
É justamente aí que surge uma questão importante para o turismo:
Até que ponto a percepção de segurança de um destino corresponde às suas condições concretas e até que ponto também é resultado dos significados que construímos sobre ele?
Quando o significado encontra a experiência
Recentemente, fui a um show de Adriana Calcanhotto na Praça Sete, em Belo Horizonte.
Para algumas pessoas, o local carrega significados relacionados ao caos e à insegurança. Alguns conhecidos, inclusive, optaram por não participar do evento justamente por essa percepção.
A experiência que encontrei foi diferente.
Havia organização, estrutura e uma dinâmica que favorecia o conforto e a convivência. Em determinados momentos, uma multidão inteira permaneceu em silêncio. Pessoas que filmavam evitavam se levantar para não interferir na experiência dos demais.
Não estou usando essa experiência para afirmar que um lugar é seguro ou inseguro. O que ela me mostrou foi outra coisa:
um mesmo território pode produzir experiências e significados muito diferentes.
E isso é especialmente relevante para o turismo.
O território também é significado
Um destino não é percebido somente por suas características físicas. Ele é interpretado.
Uma praça pode significar encontro para uma pessoa e insegurança para outra. Uma cidade pode significar aventura para um visitante e desconforto para outro. Um bairro pode ser associado à cultura, à gastronomia e à vida urbana ou, dependendo das narrativas que circulam sobre ele, a outros significados.
Essas interpretações influenciam expectativas.
E expectativas influenciam a maneira como buscamos informações, escolhemos destinos, planejamos viagens e vivenciamos os lugares.
Por isso, quando um destino enfrenta um problema de percepção, talvez a pergunta não deva ser apenas:
“Como podemos resolver esse problema?”
Talvez seja necessário perguntar antes:
“Que significados estão produzindo esse problema?”
Onde entra o Design Estratégico?
É nesse espaço que vejo uma possibilidade de atuação do design estratégico.
Projetar não significa apenas criar objetos, serviços ou estruturas. Também significa compreender relações, comportamentos, experiências e significados.
Se determinados significados influenciam a percepção de um destino, compreender como eles são construídos pode ajudar a identificar oportunidades para criar experiências capazes de produzir novas interpretações.
Isso aproxima o design de campos como o marketing, a psicologia e os estudos sobre comportamento do consumidor.
Desejo, familiaridade, pertencimento, expectativa, escassez e emoção participam da maneira como atribuímos valor às experiências. No turismo, esses processos ganham uma dimensão particularmente interessante porque o que está sendo oferecido não é apenas um serviço.
É um território para ser vivido e significado.
Cultura e território como estratégia
Talvez uma das maiores oportunidades para o turismo brasileiro esteja justamente em olhar para os significados que já existem sobre seus destinos.
Não necessariamente para negá-los, mas para compreendê-los.
A cultura, a arte, a gastronomia, a arquitetura, as pessoas e a própria vida cotidiana podem participar da construção de novas experiências.
Foi isso que me chamou atenção naquela noite na Praça Sete: não foi apenas a estrutura do evento, mas a maneira como arte, organização, território e comportamento coletivo produziram uma experiência diferente daquela que algumas pessoas imaginavam encontrar.
O território continuava sendo o mesmo.
Mas a experiência havia mudado.
E, quando a experiência muda, os significados também podem mudar.
Para o turismo, essa pode ser uma questão estratégica:
quais significados os nossos destinos estão produzindo hoje e quais experiências poderiam ajudar a transformá-los?

Comentários